
Perfuma os pinheiros e traz uma doce alegria
É o mesmo sopro que anima o bicho e a flor
O hálito do mundo, um presente do Criador
Sentir o ar é abraçar o invisível e o real
Num abraço sagrado, profundo e ancestral.
Eu sou um fio na teia, tecido com amor
Pertenço a esta terra, sinto o seu calor
Tudo está ligado como o sangue na família
A vida é um mistério que em cada gota brilha
A terra é nossa mãe, o solo é nossa raiz
Sentir sua pulsação é o que nos faz feliz.
Escuto o desabrochar das pétalas na primavera
O bater de asas que anuncia uma nova era
O debate dos sapos ao redor da lagoa à noite
É música que cura, é a alma em seu pernoite
O murmúrio dos rios é a voz que vem de longe
Onde o espírito do avô no reflexo se esconde.
Cada punhado de areia é um altar de oração
Cada inseto que zumba traz uma nova lição
A seiva que corre no tronco traz a lembrança
De um povo que vive na paz e na esperança
Os rios são irmãos que saciam nossa sede
E a própria vida nos acolhe em sua rede.
O brilho das águas é o sangue do antepassado
O calor do solo é um abraço do solo sagrado
O índio prefere o sussurro que encrespa o lago
O toque do vento, um divino e suave afago
Deus é um Só, Sua compaixão não tem fim
Ele vive na floresta, no rio e dentro de mim.
Brilhamos intensamente na força dessa luz
Onde o mistério da vida ao sagrado nos conduz
Somos um com a terra, no mesmo pulsar
Enquanto o sol brilhar e o vento soprar.





